Do livro Les Bienveillantes (As Benevolentes), de J. Littell, um trecho da conversa entre o oficial nazista Max Aue e um alto membro do P.C. Russo, feito prisioneiro pelos Alemães. Diz o segundo:
“… nos idéologie ont ceci de fondamental en commun, c’est qu’elles sont toutes deux essentiellement déterministes ; déterminisme racial pour vous, déterministe économiquer pour nous, mais déterminisme quand même. Nous croyons tous deux que l’homme ne choisit pas librement sont destin, mais qu’il lui est imposé par la nature ou l’histoire. Et nous en tirons tous les deux la conclusion qu’il existe des ennemis objectifs, que certaines catégories d’être humains peuvent et doivent légitimement être éliminées, non pas pour ce qu’elles ont fait ou même pensé, mais pour ce qu’elles sont. En cela, nous ne différons que par la définition des catégories : pour vous, les Juifs, les Tziganes, les Polonais, et même je crois savoir les malades mentaux ; pour nous, les koulaks, les bourgeois, les déviationnistes du Parti. Au fond, c’est la même chose ; nous récusons tous deux l’homo economicus des capitalistes, l’homme égoïste, individualiste, piegé dans son ilusion de liberté, en faveur d’un homo faber : Not a self-made man but a made man, pourrait-on dire en anglais, un homme à faire plutôt car l’homme communiste reste à construire, à éduquer, tout comme votre parfait national-socialisme. Et cet homme à faire justifie la liquidation impitoyable de tout ce qui est inéducable, et justifie donc le NKVD e la Gestapo, jardiniers du corps social, qui arrachent les mauvaises herbes et forcent les bonnes à suivre leurs tuteurs.”
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Orgulho besta
Blogueiros que se descrevem em três, quatro linhas do tipo : « Católico Apostólico Romano, antes de tudo. Além disso: aristotélico-tomista e defensor radical do livre mercado (escola austríaca de economia). Pronto, agora você pode estar certo que sabe como eu penso ». Ta certo, ok. Logico, segue direto, como uma seta.
Alguns desses blogueiros – cultos e que escrevem admiravelmente bem – se vangloriam de serem de direita num pais – e ai’ esta’ o quê presunçoso – num pais onde até a faxineira é de esquerda. Ah, como é dificil a vida de um direitista-conservador e coisa e tal ! (Vide : a pose do escritor Antônio Fernando Borges.) Vamos ver as estatisticas. Segundo o Data-Rolha : o referendo contra as armas : 63% dos votos contra e 36% a favor; 79% contra a descriminalização da maconha ; 63% contra a descriminalização do aborto ; 84% pela redução da maioridade penal dos 18 para os 16 anos ; e 51% favoráveis à instituição da pena de morte.
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O verbo do poeta
Por terras de Espanha e Portugal. Mas as férias acabaram. Não tenho nenhuma nova tradução e nada a dizer para atualizar a vida deste blog, apenas a constatação que ninguém escreve tão bem o português como o Camilo Castelo Branco. No entanto, no entanto, tenho ca’ um link interessantissimo – e eis a razão e justificação deste post - para escutar as ultimas aulas do poeta Bruno Tolentino: aqui.
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Desassossego
Nem tudo no Livro do Desassossego é nihilismo com pernas esplendidamente bem torneadas. Ha’ vida ali também.
Ha’ um trecho no qual Bernardo Soares percebe que os outros não são apenas palidas imagens de um mundo oco mas, ao contrario, carregam uma alma : « sinto de repente que o marceeiro da esquina é um ente espiritual, que o marçano (…) é, verdadeiramente, uma alma capaz de sofrer. »
Apos o suicidio do rapazinho da tabacaria, o narrador exclama : « Coitado, ele também existia ! » Até aquele momento, o escritor via no rapaz apenas alguém que iria « encalvecer » precocimente.
E’ de se perguntar : – Qual é o real proveito das leituras e leituras e reflexões sobre a literatura ? Criar também, por parte do leitor insaciavel, uma carapaça ao real, fruto, não da crassa ignorância, mas das finas meditações estéticas ?
Em outro trecho, o escritor nos diz, colocando-nos em alerta contra eventuais influências românticas : « Os que choram o mal do mundo são isolados – não choram senão o proprio. (…) Um Leopardi, um Antero não têm amado ou amante ? O universo é mal (…) O Job é coberto de bolhas ? A terra esta’ coberta de bolhas. » (E eu acrescento : Houellebecq é chifrado e leva um pé na bunda da esposa ? Este mundo é um grande açougue, e o açougueiro é corno. Sartre lembra um Quasimodo ? O Ser e o Naaada.)
Ha’ varios sabios insights no livro. O tédio, por exemplo, o que seria la’ o tédio ? « … E’ talvez, no fundo, a insatisfação da alma intima por não lhe termos dado uma crença, a desolação da criança triste que intimamente somos, por não lhe termos comprado o brinquedo divino. »
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O Ed Wood da poesia inglesa
Ele se chamava William McGonagall. Começou a escrever apos escutar o conselho – uma voz ao pé do ouvido - de ninguém menos que Deus. Para ler mais sobre a sua historia. Abaixo, um dos atentados do poeta:
Robert Burns
Immortal Robert Burns of Ayr,
There’s but few poets can with you compare;
Some of your poems and songs are very fine:
To “Mary in Heaven” is most sublime;
And then again in your “Cottar’s Saturday Night”,
Your genius there does shine most bright,
As pure as the dewdrops of the night.
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Eleições americanas
Diferença entre Democratas e Republicanos
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Guarda e passa
O circulo mais humilhante não é o dos bajuladores, cujo castigo é o de passarem a eternidade enfiados na merda; o mais humilhante é o terreno baldio, por assim dizer, do inferno. Os danados ali não foram aceitos nem no Paraiso, nem muito menos no Inferno – isto é, não foram nem tão ruins, nem tão bons : passaram pela terra provisoria como sonâmbulos. Ninguém quer essa corja: por isso, eles não têm sequer a esperança de morrer. Sob os pés os vermes, sobre o corpo picadas de mosquitos carnivoros, eles sentem a eterna inveja de qualquer outro destino que não aquele. Sentem inveja até daqueles que estão literalmente na merda !
Eles são a imagem dos anjos que, no momento da rebelião, não se rebelaram, mas também não foram fiéis a Deus. Ficaram em cima do muro, “escolheram” o partido do centro.
Steiner escreveu certa vez sobre o escritor Céline : este foi um ser humano tão escroto, levou tão longe o Mal, que no Inferno ele deve ter o direito a alguns minutos de ar-condicionado. Os danados do terreno baldio foram palidamente ruins, e imaginavam-se em vida, quando imaginavam, que essa condescendência para consigo e para com os outros lhes valeria qualquer coisa de bom, ou ao menos de razoavel. Talvez alguns desses tivessem o proposito em mente de tornarem-se mais virtuosos, de pegar a boa estrada, e, quiça’, acreditavam-se mesmo a caminho, cegos e surdos na ignorante condescendência das proprias fraquezas.
« Questi non hanno speranza di morte,
e la lor cieca vita è tanto bassa,
che ’nvidïosi son d’ogne altra sorte.
Fama di loro il mondo esser non lassa;
misericordia e giustizia li sdegna:
non ragioniam di lor, ma guarda e passa. »
(Canto III, Commedia.)
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Houellebecq é um escritor meia-boca. No entanto, apesar das suas limitações artisticas e intelectuais, tornou-se para alguns uma espécie de profeta dos novos tempos: tudo o que ele diz é a sociedade de hoje e tal e tal. E’ de se perguntar em que mundo os seguidores do escritor francês vivem, pois não é o mesmo que o meu.
Os personagens de Houellebecq são sempre depressivos, desprovidos de qualquer charme, e estão sem mulher, na seca, ha’ muito tempo. Viajam, por exemplo, a Rouen, e é como se viajassem a algum pobre e depenado povoadinho do interior do Brasil.
Ao menos, os editores ingleses do seu livro Particulas Elementares tiveram a sensatez de não copiar a horrenda capa francesa: (o escritor ele mesmo)
E puseram esta moça :
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